Congos, congados ou congadas

postado em 01.11.2007

A coroação dos reis de Congo, ocorrência comum em todo o País nas festas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, foi criação dos negros africanos escravos no Brasil, sendo que nunca houve grupos semelhantes na África. Os reinados de congos são fruto da estravaria brasileira, incentivada pelas autoridades locais como forma de manter a calma e a ordem nas senzalas, que se confortavam ao verem seus reis coroados.

A coroação dos reis de Congo, ocorrência comum em todo o País nas festas em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, foi criação dos negros africanos escravos no Brasil, sendo que nunca houve grupos semelhantes na África. Os reinados de congos são fruto da estravaria brasileira, incentivada pelas autoridades locais como forma de manter a calma e a ordem nas senzalas, que se confortavam ao verem seus reis coroados. Estas comemorações estão pre­sentes do norte ao sul do Brasil, de formas variadas.

Em Pernambuco, os maracatus são as lembranças dessas festividades; no Rio Grande do Sul, existem as tradicionais congadas no município de Osório; no Rio Grande do Norte, os congos existem há mais de um século e meio; no Paraná, na antiga cidade da Lapa, as congadas eram realizadas no dia 26 de dezembro, em louvor a São Benedito. Na Bahia  e em Goiás são desenvolvidos enredos particulares na apresentação desses grupos. Por todo o País as Irmandades do Rosário, de São Benedito e de Santa Efigênia incen­tivaram diferentes formas de devoção, dentre as quais se destacam as apresentações das guardas, com indumentárias, cantos e danças características e peculiares ao local de manifestação. O Sudeste é o local de maior reduto desses autos, nos quais estão inseri-das as embaixadas, as coroações dos reis de congo e as reminiscências de bailados guerreiros. Destaca-remos neste livro algumas das principais guardas que homenageiam o seu santo de devoção com apresen­tações de cantos e danças: as guardas do congo e de moçambique, os catopés, os caboclinhos, os maru­jos e o ticumbi.

A guarda de congo é a mais antiga existente nas confrarias em louvor a Nossa Senhora do Rosário. Existem informações de sua existência desde 1711, mas o primeiro relato de uma apresentação oficial se deu em 1760, pelo padre jesuíta João António Andreoni. Em desfile, o congo se apresenta à frente das guardas de moçambique e do séquito real. Tem a função de proteger os reis, servindo-lhes de guardas. Existem diversas denominações para estes grupos, como congo penacho, congo real, congadas, congo de saiote ou congo de calçola. Vestem-se com saiotes co­loridos, em geral rosa ou azuis, blusas e calças bran­cas, e ostentam chapéus com fitas, que variam de cor e de forma conforme a localidade em que é apre­sentado, o que dá aos grupos identidade e carac­terísticas próprias.

Durante a procissão, o som das caixas, chocalhos e de outros instrumentos de percussão impõe ao corte­jo um ritmo lento e cadenciado, que é acelerado com o início da dança. A coreografia é realizada de forma espetacular, com batidas de manguaras ou espadas e lances coreográficos de intenso impacto, com a variação da movimentação, que pode ser em roda ou fileiras. No meio da dança, por vezes, alguns tocadores de caixas mostram habilidades, fazendo malabaris­mos com os instrumentos, tocando e dançando entu­siasticamente, causando intensa vibração na guarda e nos espectadores.